Convergência Teatral

Denise Stoklos e o Teatro Essencial

Posted on: 25 novembro | 2008

Denise Stoklos apresenta Teatro Essencial 40 anos no interior de São Paulo.

São três peças do grande repertório da artista: “Mary Stuart”, “Vozes Dissonantes” e “Calendário de Pedra”.

Mary Stuart

Este espetáculo estreou em 1987 no Teatro La Mama, em Nova Iorque, e desde então ten recebido internacionalmente os melhores elogios da crítica. Inspirado em vários textos sobre a rainha da Escócia, este trabalho é definido como estabelecimento das bases do que Denise Stoklos designa como seu chamado TEATRO ESSENCIAL, aquele que utiliza o mínimo de recursos materiais e o máximo dos próprios meios do ator, que são o corpo, a voz e o pensamento.

Sozinha no palco, Denise é simultaneamente a rainha da Escócia, Mary Stuart – aprisionada e condenada à morte -, e própria prima, Elizabeth I, rainha da Inglaterra.

Durante uma hora e quinze há muito humor, palavra e gesto, num espetáculo que não tem tempo cronológico, dimensão espacial ou geografia determinada. A encenação foge aos parâmetros convencionais do teatro.

O cenário é o despojamento do palco. Paredes vazias, apenas uma cadeira em cena. Ali vemos Mary Stuart encerrada em uma masmorra. No instante seguinte, sem mudança de figurino, aparece a rainha Elizabeth I. Logo depois estamos na atualidade, quatrocentos anos após, em situação de poder, similar.

Vozes Dissonantes

O espetáculo fala sobre os rebeldes brasileiros que levantaram suas vozes contra ordens oficiais do país através desses cinco séculos de história.

O espetáculo aborda expressões de filósofos, estetas, políticos, poetas, de figuras como Padre Antônio Vieira se manifestando contra a escravatura, passando por análise do papel de Tiradentes, manifestações de José Bonifácio, idéias de Milton Santos e outros que nos inspiram com sua coragem autoral a criação de novos rumos para uma sociedade ainda tão jovem e plena de futuro.

Espetáculo otimista porque acredita na ação, e reflexivo porque vasculha nossos momentos libertários e as vozes que os promulgaram, sempre com vistas em proporcionar fortalecimento de atitudes responsáveis e de transformação.

“Nenhum momento de indiferença, porque ninguém fica indiferente diante de um texto, cuja função é ser pretexto de uma investigação através da dança, da música, da palavra, do corpo, daquilo que se é, do que vimos sendo nestes quinhentos anos, sob as inúmeras capas que nos obrigam a vestir desde o nascimento.”

“A expressão corporal de D.S. é impressionante, cada vez mais impressionante, de tal modo ela se movimenta em “acrobacias” e expressões faciais, chamando a atenção de forma irônica/brincalhona para todos os períodos de nossa formação histórica, lembrando Gregório, Vieira, Castro Alves, o índio, o negro, chegando aos dias atuais. Diga-se que o espetáculo começa com uma leitura de João Cabral.”

Marly de Oliveira – Junho de 2000

Calendário de pedra

A estrutura do texto vem originária de um poema de Gertrude Stein chamado “Book of Anniversary ” e mostra – por meio de um aparente diário anual – pensamentos, emoções, ações próprias relativas mais ao interior do personagem que ao tempo cronológico. Aparecem através do desenrolar do tempo questões não qualificadamente mais ou menos importantes, já que é uma homenagem ao ser, livre em sua gratuidade, mas com legitimidade. Contesta o sistema social em que vivemos, onde os valores dependem sempre de sua utilidade prática ou de rendimentos concretos.

Aqui nosso personagem único depara-se com momentos diversificados dando-se a permissão para que aflore o que está no seu íntimo, mas no íntimo coletivo, no subconsciente da natureza humana e que se reveste surpreendentemente de momentos grandiosos, assim como de outros simples, mas todos igualmente vitais.

Assistimos a um personagem acossado por lembranças, aspirações e escolhas sem que este se encontre em momento fatal, terminal ou dramático, mas por expor nossa vulnerabilidade e delicado arbítrio torna-se, assim, a nossos olhos dramático, terminal e fatal.

Espontaneamente vai sendo requisitado a discutir buscas humanas que nos irmanam no reconhecimento do amor como significado primordial da vida, a descoberta e entrega vocacional que é redenção à existência de qualquer indivíduo.

Com seus particulares desejos e angústias, o personagem se relaciona com o tempo, ora fisicamente, ora transcendendo-o e criando suas prioridades não convencionais, abstendo-se de uma narrativa realista, não de “um certo alguém”, mas de “todos nós”. Regendo sua vida por confrontar-se sem trégua, este ser humano em foco reflete agindo acerca de sua história, mas sempre em busca da capacidade de se comunicar melhor consigo mesmo e com o outro.

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